segunda-feira, março 31, 2008

Barcos, Pés e Nespereiras

“I get the sense of it, I just don’t understand it”, Nigel Tufnel

Eu sou preguiçoso. Muito preguiçoso. Vou me aproveitar do facto de ter sonhos absurdos para fazer uma série de posts.
E eles não vão ser cómicos, antes pelo contrário, serão dramáticos! Pois, é dramático ver o quão cheché eu sou para a minha mente criar coisas destas, mesmo que seja durante o sono.

Fica aqui já o aviso, se quiserem algo com lógica, nem que seja muito pouca, não encontrarão neste post. Senão, sejam bem-vindos aos Sonhos de Um Lunático!


Sonho de 25 para 26 de Março

Não me lembro de como este começou exactamente, mas sei que a dada altura fui dar comigo num cais, pois lembro me de estarem lá barcos atracados.
Depois, por um motivo qualquer, comecei a afastar-me dali com a companhia de duas personagens estranhas.

Uma, que caminhava uns dois passos mais à frente, era uma mulher de meia-idade. Não a consigo descrever muito bem, pois também não lhe prestei grande atenção, com a excepção dos seus pés e já vou explicar porquê.

A outra personagem, que caminhava a meu lado, era nem mais nem menos que o Clint Eastwood! Este tinha uma caçadeira em sua posse e, quando já nos tínhamos afastado do cais e entrado numa espécie de deserto, começou a disparar em direcção dos pés da tal mulher.
Não me pareceu que ele quisesse que ela andasse mais depressa, (se assim fosse, também não o teria conseguido) mas sim testar a sua pontaria ao tentar rasar o mais possível os pés da mulher, sem a ferir.

Quanto à reacção dela, parecia estar a ignorar o que se passava, ou então a não dar importância alguma, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Houve, porém, o curioso pormenor de ela hesitar dar um passo, a dado momento.

Após isto, não sei o que aconteceu. Imaginem que se sucederam batalhas épicas contra Ursos Sioux em Álcacer-Quibir, pronto.

Para o fim, recordo-me de estar envolvido num tipo de ritual estranho, que envolvia uma refeição… Ou isso ou uma pausa a meio para o lanche.
Seja como for, era um tipo de ritual diário, e tenho a impressão que metia soldados de brincar (daqueles pequeninos) com tanques e tudo.

Quem também fazia parte desse ritual era uma mulher de meia-idade, outra que não a dos pés quase-alvejados. É ela a protagonista do final deste sonho (e daí...).
Tudo começou numa conversa, a qual não me ficou gravada na memória. Mas lembro-me que, de repente, ela compara o assunto de que falávamos a um episódio da vida do seu pai, em que ele tinha sido alvo de inveja dos vizinhos.

E porquê? Porque todos os outros não conseguiram arranjar um meio de evitar com que as suas nespereiras caíssem (devido a um problema gravitacional na zona, ou assim...), excepto o pai da dita mulher, que a tinha mantido erecta com o auxílio de uns arames fixados aos muros de casa.

- Ele conseguiu-o com a ajuda de 4 ou 5 homens e, mesmo assim, demorou um dia inteiro! – diz o meu pai, entrando no sonho, de repente, e atropelando todas as suas personagens, pondo-se em fuga logo de seguida.

E assim acabou o meu primeiro sonho.


O próximo post “Pelo Tibete!” será publicado quarta-feira, dia 2 de Abril, a menos que o Universo imploda.

sexta-feira, março 28, 2008

Saga da Lua

Gritos de Loucura

- Olá lobinho.

Se eu não estivesse gelado de frio e de medo, os meus membros e músculos paralisados com terror do que poderia acontecer, eu teria me derretido completamente com o calor e a sensualidade da sua voz.

- Ora, ora, não tenhas medo, estou aqui para te ajudar…

Ao acabar de dizer isso ela levantou-se. O som dos seus sapatos a tocar no chão rebentava com os meus tímpanos, enquanto que o seu rosto não largava o meu e com correntes invisíveis me aprisionava o olhar no dela. Ou isso ou chocolate, porque eu gosto muito de chocolate e poderia ser facilmente atraído por chocolate, se calhar ela poderia ser feita totalmente de chocolate, o que seria bom se nos próximos instantes ela me pedisse para eu come-la... coisa que não aconteceu.

- Eu sei que vinhas aqui procurando esclarecimento, um caminho, ou talvez… o que outrora eras…
- Xana, eu suponho… - Consegui falar tentando não ser prostrado por as forças que me invadiam. Ao que ela respondeu com uma sonora gargalhada.
- Vejo que já te falaram de mim. – Ela aproximou-se de mim e agarrou-me o focinho e aproximo-o da sua cara, eu tremi ao sentir a sua respiração tocar no seu pêlo. – Tu és tão fofo. Não consegues sequer imaginar o quanto eu desejo aprisionar-te aqui e seres meu para sempre…
- Skor! – O grito de Kaly ecoou pela caverna e eu senti o poder que a mulher exercia sobre mim a soltar-se e apenas por uns segundos consegui sobrepor a minha vontade á sua. Olhei para a entrar, conseguindo ver a Kaly apontando a sua besta e lançar uma flecha contra a minha opressora. Indo contra todas as minhas esperanças o seu ataque falhou, pois antes de chegar perto de Xana, a flecha congelou e caiu no chão como um bloco pesado de gelo. O olhar glacial virou-se para Kaly, projectando-a para trás como se tivesse sido atingida por uma tempestade e em seguida voltou a focar-se em mim continuando com a voz melosa e sedutora.
- No entanto, como eu ia a dizer antes daquela intrometida se intrometer com as suas… intrometidices, as minhas irmãs, não querem que eu me divirta e querem que simplesmente te ajude. – Ela suspirou soprando para afastar a franja ruiva dos seus lábios. – E eu não quero que as minhas maninhas andem a atazanar-me o juízo porque eu não acredito têr sanidade suficiente para aguentar com as retóricas delas e as leis e… enfim.

No momento em que ela disse enfim eu senti-me desorientado, como se estivesse á muito tempo sem me pôr sobre as minhas patas e agora que me punham no chão ele estava coberto de cascas de banana e pastilhas elásticas, o que seria desagradável se eu caísse mas que parecia ser a única hipótese. Até que, como se nada o fizesse esperar, senti-me bem não havia vertigens não havia submissão, não havia a estranha sensação que cheirava uma loba com o cio… sim eu estava a sentir isso… sou um animal! Dê-me crédito!... Continuando…

- Olha para mim lobo. – Ordenou a mulher mas com uma voz muito mais inocente do que com a que me tinha falado antes. A minha cabeça ergueu-se para lhe olhar nos olhos e então reparei que ao contrário de todo o resto do seu corpo, os olhos eram azuis como o gelo que nos rodeava e possuíam uma simpatia única.
- O que é que tu estás a tentar tramar. – Inquiri eu. É claro que não me ia deixar enganar pela simpatia que eu sentia vinda dela, só podia ser uma manipulação qualquer imposta por ela. No entanto ela limitou-se a sorrir. – Eu não entendo o que se passa aqui!
- Somos quatro irmãs. Cada uma governa o seu espaço no céu e cada uma tem o seu tempo em cuidar do mundo abaixo de nós.
- Vocês… Deusas? – Perguntei com algum temor da resposta. Ela gargalhou um pouco antes de me responder
- Não lobinho, se fossemos Deusas não nos teríamos de preocupar com o mundo. Mas isso são outros assuntos que não são importantes para aqui. O que importa é que… - antes de continuar ela ajoelhou-se á minha frente e passou-me a mão pela cabeça acariciando-me o pêlo. Soube extremamente bem para alem que até á minutos pensava que me ia matar… e até á mais uns minutos pensei que era feita de chocolate. – … Precisamos de pegar em ti e pôr-te como eras…
- Como eu era? Tu sabes como eu era? Tu sabes sobre o meu passado?
- Oh sim. Soube-se muito de ti quando saiste na Caras e na Maria… e noutras revistas de interesse quando os tiranos do mundo estavam na moda. Por acaso foste bem classificado, normalmente em segundo ou terceiro. – Ela mostrou-me um sorriso brilhante e caloroso enquanto me coçava atrás da orelha – Nem queiras saber o quanto fiquei orgulhosa.

Tentei falar-lhe, questionar-lhe sobre o que ela dizia. O que ela queria dizer sobre tirano, as palavras dela faziam crescer o meu medo em lembrar-me do que eu era… e se eu fosse um ser maligno… e… se o que eu era não fosse compatível com o que sou agora, nunca conseguiria viver comigo mesmo com as atrocidades que teria feito.
O caos destruía a minha cabeça com as questões que surgiam mas eu não conseguia reagir, conforme a mão dela acariciava-me o pêlo, eu sentia as minhas energias a desvanecer. Era ela quem fazia isto? Não tive tempo para saber a resposta, os meus olhos fecharam e a ultima coisa que senti foi o seu abraço.

Depois… escuridão.

Não havia nada. Não havia sons, não havia calor ou frio, não havia medo, não havia conforto. Gradualmente comecei a sentir calor, como se duas mãos passassem em cima de mim e me fossem acariciando com uma energia sobrenatural, após esse calor desvanecer apenas havia dor. Uma dor imensa que fazia a minha mente gritar em agonia, numa sôfrega tentativa de me manter ligado a este estado negro de consciência. Minutos passaram mais parecendo horas, o calor desvanecia completamente do meu corpo mas por outro lado a dor também desvanecia e de repente outra vez o nada. Passou mais tempo, não sei dizer o quanto. Só existia escuridão, não havia medo, sensação, nada! Talvez tenha visto uma fila de esquilos a correr á minha frente, ou talvez isso fosse simplesmente culpa da Kaly, mas nada parecia mudar. Até que o calor voltou, temi mais dor mas fui completamente envolvido por ele. Sentia o total do meu corpo e sentia-me estranho como se já não fosse eu.
A luz voltou aos meus olhos como se o sol brilhasse directamente em cima deles. Senti-me confuso e desorientado tentei mexer o meu corpo mas não consegui. Conforme a sensação voltou ao meu corpo, consegui sentir que algo me agarrava, um braço e uma perna cobriam-me enquanto que outro braço passava por baixo do meu pescoço, mas a sensação era tão estranha que não conseguia retirar o pânico da minha mente. O meu olhar começou a focar o mundo que me rodeava e a primeira imagem que a minha mente viu, ainda que desfocada, foi a cara de Xana. O seu sorriso que eu me arriscava a caracterizar de carinhoso, o seu olhar gelado mas que neste momento me transmitia ternura, o seu cabelo vermelho caía por cima de um pêlo negro que nos cobria o chão, o que era algo estranho, pois aquele pêlo era algo parecido ao meu. Gritei de horror e saltei desastrosamente para trás, notei de imediato que a minha voz se encontrava mais aguda, a segunda coisa que reparei foi que algo amarelo apossou-se da minha vista. Após uma tentativa frustrada de retirar essa coisa de perto de mim constatei dolorosamente que estava agarrado a mim, foi então que me apercebi do que era: Cabelo.
O choque inicial quebrou o que restava da minha calma e gritei com todo o ar que tinha nos pulmões durante um bom bocado. Quando a minha voz deu lugar ao silencio observei tremulamente as minhas mãos, delicadas e suaves tremiam perante os meus olhos, tinha braços e pernas em vez de patas e o pêlo que cobria os nossos corpos nesta sala de gelo era nada mais do que o pêlo que outrora fora meu, em cima dele Xana continuava deitada observando-me deliciada com a minha reacção e passando com a sua mão pelo seu corpo.

- O que é que me fizeste? – Gritei, tremendo como um galho verde.
- Precisavas de ajuda, esta é a ajuda e eu disse que te iria dar. – Respondeu-me ainda com o mesmo sorriso na cara.
- Mas… Mas o que tu me fizeste…
- Vê por ti mesma. – Cortou ela erguendo a mão.

Engoli a seco só de ouvir o último comentário por ela feito. Á minha frente ergueu-se uma parede de gelo que tomou uma textura reflectiva e por fim podia ver como me tinha tornado. Tinha uma estatura alta e esguia, com longos e finos braços, tinha olhos azuis e gelados como os de Xana, lábios finos e um nariz bem feito. O meu peito era bastante simples e modesto, enquanto que as minhas ancas podiam parir um exército.

- Eu… - Gaguejei.
- Estás linda. – Continuou Xana espreitando por detrás do espelho.
- Eu era um lobo! – Corrigi-lhe com alguma fúria. – Não uma loba!
- As revelações do físico e as suas linhas nem sempre são claras minha linda. - Respondeu-me ela gargalhando. – Mas se quiseres posso retirar-te esse corpo.
- Não! – Entrevi eu rapidamente antes que ela tomasse uma decisão. Para dizer a verdade estava algo fascinado (se calhar devesse dizer fascinada afinal) – Eu… agradeço.

A Xana veio para perto de mim carregando o meu pêlo nos braços. Sacudiu-o e depois colocou-o em volta dos meus ombros, surpreendi-me ao sentir o pêlo a moldar-se ao meu corpo e transformando-se ao fim de segundos em roupa para me cobrir o corpo todo. O negro agora da minha roupa contrastava com a luminosidade das minhas feições e envolta naquele casaco de pêlo negro o meu porte era algo intimidador e quase irreal. Tremi ao observar-me e por um instante, senti que me conhecia.

terça-feira, março 25, 2008

Fotocopias - Um problema ambiental

(Ler com uma voz grave de actor de filme americano prestes a combater zombies)

Fotocopias….

Fotocopias….

Ai as fotocopias… quantos de vocês têm uma fotocopia à mão!?

Olhem para ela… sintam-na, cheiram-na e ponham-na de lado….

Uma fotocopia hoje em dia custa mais ou menos entre 2 e 3 cêntimos… e já pararam para pensar no que é preciso esses três cêntimos pagarem!?

Esses três cêntimos terão de servir para pagar a mulher ou monhé que tirou a fotocopia, terá de pagar a própria folha, a tinta da maquina fotocopiadora, a electricidade utilizada para tirar a fotocopiadora e o homem que repara a maquina fotocopiadora.

Vamos então analisar caso por caso.

1º - A mulher ou o monhé: este é o mero empregado, esta personagem passa o dia a tirar fotocopias e quando pensa que são estas coisas que custam 3 cêntimos que lhe vão dar o ordenado começa a entrar em stress, por entrar em stress mexe-se mais e consequentemente os músculos precisam de mais oxigénio, logo, há uma diminuição do oxigénio e um aumento de dióxido de carbono na atmosfera logo… mais poluição.

2º - A folha – De onde é que vêm as folhas!? Ah pois é… vêm das arvores logo… mais folhas dão menos arvores o que faz com que haja mais dióxido de carbono e menos oxigénio no ambiente logo… TCHARAMMMMMMMM POLUIÇÃO!!!

3º - A tinta da maquina fotocopiadora – Ahm não me pronuncio sobre este tema pois a tinta da maquina tem uma composição que me é desconhecida mas deve envolver qualquer coisa como turcos fritos na chapa com uma pitada de pimenta e manjericão doce utilizando carvão virgem LOGO MAIS CARVAO, MENOS ARVORES, MAIS POLUIÇÃO!

4º - A electricidade – Só tenho uma coisa a dizer! De onde vem a electricidade!? DO PETROLEO! (sim não façam perguntas parvas vem sim) logo mais refinaria menos Ozono BAM! POLUIÇÃO!

5º - O homem que repara a maquina – Não há muito para dizer: Homem que repara é igual a rego a mostra, rego a mostra é igual a uma maior libertação de gases logo MAIS POLUIÇÃO

Agora junta-se estes cinco factores e o que é que tem!? Um aumento da temperatura global devido ao efeito de estufa que vai provocar um derretimento nos pólos o que fará com que o primeiro país a ir a vida seja as… Maldivas (sniff) os rios vão aumentar, os países vão começar a derreter, os ursos polares ficam sem gelo e vêm a nadar até aos nossos países e vão formar sociedade com os ursos que já cá existem e vão começar a atacar-nos é então aqui que temos de agarrar nos nossos caramelos e mastiga-los bem, para podermos ir até ao frigorifico agarrar no leite encher um copo e bebe-lo, depois o nosso cão começa a uivar e agente começa a cantar: foi na loja do mestre André que comprei o pirolito, ai ó é, ai ó á, foi na loja do mestre André e eis que um urso bate a porta! Agarramos numa delícia do mar ainda congelada, acabada de tirar da arca frigorífica e enfiamo-la no nariz do urso que começa a gritar ATUM ATUM, ai ai se a quimioterapia me constipar tas tramado comigo, isto tudo porque as delicias do mar provocam cancro. Por trás de nós aparece o avô cantigas que logo desaparece e não serviu de nada e é então que aparecem mais ursos e nós fugimos para a Alemanha. Lá enfiamo-nos num dos bunkers do Hitler e encontramos um bloco de gelo mas como bons humanos que somos tratamos logo de o derreter e o que descobrimos!? Que Hitler estava a ser conservado ali naquele bloco de gelo e quando ele acordar diz algo assim do género: “Mein claine Heinz ketchup sfreikens sshumotz weille Zeu nein gostein de urseins” e nós vamos perceber que ele diz algo como: “Meu caro, dele é o ketchup, se vens cais, somos velas e eu nem gosto de ursos!” e aí então vamos perceber que o Ketchup será uma boa arma contra urso e vamos tentar… mas logo descobrimos que afinal não é assim tão boa arma e voltamos a fugir outra vez, mas desta vez, levamos alguém que saiba alemão connosco, e vamos falar com o Hitler que nos diz assim: “Sequereitens maitens leitz dein Berains you masteins finanzdienstleistugen(…)” e mais qualquer coisa assim que basicamente será traduzido para: se querem matar os ursos têm de financiar uns campos de concentração que agente queima-los para fazer paté de marmelos. E nos dissemos: ta bem! Então vamos às casas que tiram fotocopias buscar dinheiro e pagamos os campos de concentração. Começamos a gritar “xé dama, vamo lá po teu cubíco, dar um chance! Dá um chance dama”, pomos no chão leds roxos e fotografias de carros caros todos “cheios do tunning” que os ursos não têm dinheiro para comprar e lá vão eles para a Alemanha. Queimamo-los a todos, fazemos paté de marmelo, damo-los a comer aos gajos da Etiópia e eis que aparece outra vez o avô cantigas que diz assim: eu bem disse que coiso.

Nós olhamos para ele com muito desprezo e por ser tão estúpido ainda damos-lhe com um carapau na testa que lhe crava uma escama até ao crânio infectando-o com salmonelas do futuro que o transformam num peixe gigante que começa de imediato a correr atrás de nós e nós dizemos assim: ora porra, agora é que nos dava jeito um urso para apanhar este peixe.

Eis que ao fundo ouve-se “Fraid not my friend”, olhamos para cima e lá vem o John West com uma lata de embalar gigante na qual enfia o avô cantigas recém transformado e nós exclamamos: Porra, que dia, o que eu comia mm agora era umas “ringles” e assim lá vamos nós até ao FIDLE comprar “ringles – hot and spicy”, sentamo-nos a comer enquanto vemos uns zombies a passar e fica tudo bem.

Notações finais:

Tenham sempre isto em mente quando forem tirar fotocopias e não comprem impressoras da HP pois não se desligam consumindo assim mais energia acelerando o aquecimento global e dando-nos este trabalho mais cedo.

E depois ainda dizem que os carros poluem muito!

Saga da Lua

Sementes de Melancolia (aka: Pasmassol)

No Sul, longe das montanhas cortadas pela incessante lava, na sombra das suas negras florestas de pinheiros, um guerreiro erguia a sua colossal espada para cortar mais um inimigo em dois. O impacto foi violento e sangrento, a força do colosso quase fez o solo tremer quando desfez o seu inimigo em dois e a sua espada embateu no chão. Ao seu lado, duas mulheres aladas, com as penas das suas asas tão negras como os seus cabelos moviam-se com a agilidade e graciosidade de pássaros a cruzar o céu e elas próprias livravam-se de outros dois adversários enquanto que os restantes corriam pelas suas vidas. Historias corriam pelo povoado do Paladino que Varg mantinha como seu conselheiro como um homem bom e generoso, mas nunca lhes passaria pela cabeça o quanto o contrario ele era em combate.
Após esta pequena batalha, o Paladino sentou-se ofegante, sentia-se a ficar demasiado velho para este tipo de vida, mas ao mesmo tempo não lhe conseguia virar as costas. Mas faltava algo e esse algo só podia ser achado com um grande sacrifício.

- Munin! – Chamou ele, logo de seguida uma das raparigas que o acompanhava aproximou-se dele
- Sim mestre? – Respondeu ela de imediato ao chamamento.
- Preciso que voes… detesto separar-te da tua irmã, mas preciso que voes, que procures o nosso rei.

Ela olhou para a sua gémea sem um único traço de pesar ou magoa, em seguida os seus olhos tornaram-se negro e o seu corpo tombou. Antes de sequer tocar no chão a rapariga tinha deixado de existir dando espaço para um majestoso corvo que se lançou aos céus.
- Bem… agora que a tua irmã se foi embora, tu sabes que nós podia…
Sem qualquer hipótese de acabar a frase o Paladino recebeu um valente estalo da gémea na face que o fez resmungar um pouco. Enquanto isso o corvo já se lançava ao norte, com a mente presa num objectivo e com o seu rumo traçado pelo destino.

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Depois de uma explicação longa e aborrecida sobre as origens dos trolls e dos bichos maus que andavam por ai, passamos ao que interessa. A Kandia começou a explicar-me os sonhos que tenho tido.

“Agora essa rapariga, é algo estranho, mas pelo que me contas ela é uma das quatro irmãs que habitam o monte da lua, diz-se serem antigos espíritos que protegem e olham pelo destino de todas as criaturas. Se elas pedem uma audiência contigo, não te deves demorar. Irei fornecer-te um mapa para encontrares o teu caminho no meio da floresta e algum músculo, pois os perigos são muitos e irás precisar de escolta.”

Nesse momento a troll foi vasculhar os seus armários repletos de objectos estranhos e começou a juntar pequenos frasquinhos junto de um caldeirão que tinha em cima de brasas. Quando se encontrava pronta começou a juntá-los proferindo os seus nomes, muitos deles diga-se de passagem bastante estranhos, como por exemplo: asa de morcego, cabeça de uma boneca de anime, cabelos de gótica e cds de evangencia. Uma mistura estranha mas que parece ter dado resultado, pois sem medo de ser queimada meteu as mãos dentro do caldeirão e retirou de lá um ovo enorme, de seguida lançou o ovo ao chão que se quebrou revelando no seu interior um rapaz. Esse rapaz levantou-se e começou a olhar tudo com um ar espantado dizendo repetidamente “Bring, Bring, Bring”

- Isso é suposto ser o músculo dele? Não passa de um puto. – Pronunciou-se Kaly.

A Troll olhou-a pensativa e acabou por se pronunciar em relação a isso com uma resposta que acabou por deixar Kaly sem saber o que dizer. – Se achas que é pouco, tu vais também com ele. Pois podes estar descansada que até tu o ajudares a acabar esta missão, eu própria não te ajudarei em nada Kaly. – O ambiente do compartimento ficou algo negro e parecia que as duas poderiam atirar-se á garganta uma da outra em poucos segundos por isso talvez fosse melhor intervir.
- Então e os mapas?
- Ah sim, os mapas, vais precisas deles. – Ela vasculhou mais um pouco mais pelos seus velhos armários até remover um pergaminho, soprou nele fazendo voar o que parecia ser uma bem grossa camada de pó. – Este mapa irá levar-vos aos caminhos da montanha. Mas de resto, eles terão de se abrir a vocês. Mantenham-se próximos uns dos outros pois se só um de vocês for escolhido pela montanha os outros não verão os seus caminhos a menos que se mantenham próximos

- Bring, bring, bring…
- O que é que este gajo tem de errado? – Gritou a Kaly apontando para o rapaz.
- Eu não tinha os ingredientes todos, veio com um problema de fala. – Defendeu a Troll.
- Deixem o rapaz em paz! – Entrevi. – Precisamos é de nos pôr a andar daqui para fora! Temos de salvar a Unga!

Ao proferir estas palavras a Kandia lançou-me um largo sorriso mostrando os seus caninos afiados com punhais, ou garras de esquilos. Aquela historia de ser descendente de uma tribo selvagem de Trolls não me parecia tão descabida quando ela sorria, havia um terrível brilho nos olhos que traria medo a qualquer um que não a conhecesse, no entanto, era uma troll carinhosa e cuidadosa, a única real preocupação, era o Jotun que se tinha se tinha erguido na sua cunhada.

- Vá, ponham-se a andar criaturas da magia do norte, o destino espera-vos.
- Antes de ir… porque foi que o seu irmão disse para seguir o cheiro da água? – Perguntei fazendo a Troll gargalhar.
- Ah, aquele velho filho de uma meia-ogre. – Deu mais uma gargalhada e inspirou no seu cachimbo. – Eu sou uma bruxa de água, acho que está explicado.

Com uma explicação estranha e varias preocupações em mente saio da pequena casa cravada no tronco acompanhado agora por dois estranhos companheiros. A floresta estendia-se perante nós com os seus perigos, armadilhas e doces escondidos (por ser Páscoa quando escrevi isto e já comi amêndoas amais) mas agora tínhamos um caminho e eu tinha uma missão e não a iria falhar por nada. Comecei a andar com um passo determinado seguido por Kaly e o rapaz do bring, bring atraz de mim. Reparei que Kaly retirara por debaixo da sua túnica massiva uma besta e que a carregava com uma flecha, mas o que estranhei mais foi que em vez de unhas tinhas garras grotescas feitas do próprio osso que saiam da sua carne, esta mulher tinha algo estranho, ainda não tinha entendido o que ela era realmente.
O tempo passou a correr, estava tão focado no que tinha de fazer que não tinha notado o quanto tínhamos andado sem sequer dizer uma palavra, para alem do incessante “Bring, bring, bring…”, até que a meio da caminhada a Kaly cortou o silencio.

- Um lobo que fala, interessante, nestes dias encontra-se tudo.
- Não propriamente um lobo. – Respondi.
- Não me vais dizer que és um lobo-troll…
- Não, não é isso. Apenas… acho que fui mais que um lobo
- Tipo, um esquilo?
- Ahmm? Porque raio seria um esquilo? – Interroguei eu algo perplexo
- Seria algo fora do normal, não achas?
- Sim, mas não… - Quedei-me em silencio ao ver algo estranho á minha frente, parecia que a floresta abria-se perante nós com mãos de raízes e ramos a afastar os arbustos e arvores do nosso caminho, engoli a seco e rodei a minha cabeça em direcção á Kaly. – Onde estamos?

Kaly segurava o mapa mas não conseguia olhar para ele, algo fazia-a olhar para a frente, muito provavelmente o mesmo que eu tinha visto.

- Es… estamos n… no fim do caminho…
- é o trilho magico Kaly! Encontramo-lo
- Bring, bring ,bring.
- Epah, mas este gajo não se cala com isto! – Resmungou Kaly mais uma vez.
- Já te disse para teres calma em relação a isso e para alem do mais estamos no caminho certo!

Olhei em frente e senti um cheiro doce, parecia que a montanha convidava-me a entrar pelos seus caminhos, a desbravar os seus mistérios e então corri como nunca antes o tinha feito a língua pendia-me da boca o meu pelo arrepiava-se com ansiedade. Ainda ouvi a Kaly a gritar para eu esperar mas não consegui estava embriagado pela emoção, corri e corri até que de repente algo rebentou debaixo das minhas patas e fui projectado para trás. Rebolei no chão e consegui ver uma silhueta.
Antes de me levantar reparei na Kaly e o rapaz a pararem ao meu lado ofegantes devido á corrida, eles olhavam para a frente em desafio, alguém nos desafiava e foi então que os meus olhos voltaram a ajustar-se.
Uma mulher loira estava perante nós, com o cabelo amarrado em dois totós num efeito estranho, longas pernas e uma mini-saia curta, tinha um bastão e uma fatiota á menina colegial e com um sorriso maquiavélico na cara. Entreolhamo-nos por uns instantes, mas assim que acabamos de recuperar o fôlego ela pronunciou-se com uma voz estridente e quase nociva á saúde pública.

- Vocês trespassam território sagrado criaturas malvadas, os caminhos do amor são para os puros, não para os negros de coração e as cornucópias da plenitude da paixão deviam ser bebidas por os sôfregos de sentimentos secos de virtudes…
- O que é que raio ela está a dizer? – Perguntou Kaly estática com o choque.
- Eu não sei, já me perdi.
- …Quando dos céus chover marmelada em forma de corações e os Deuses destruírem os maus, as vozes iram se erguer num pranto desesperado porque queriam manteiga de amendoim e pão-rico sem côdea em vez de broa de milho…
- Ela não se cala… - Comentei já um pouco assustado
- Bring, bring, bring…
- … pois os genes dos meus pais não eram assim tão puros, vou-vos fazer sofrer atrocidades com o meu poder de penas e em nome da Lua, vou castigar-vos!

Ao acabar de dizer isto fez uma coreografia estranha, acabando por ficar a apontar para nós. Um momento de silencio surgiu na montanha até que o rapaz do bring bring bring começou a gritar freneticamente, a sua pele ficou verde e triplicou em tamanho perante os nossos olhos espantados. A criatura em que agora o rapaz se tinha transformado, berrou cuspindo vários litros de saliva, investido de seguida contra a rapariga misteriosa que tinha aparecido perante nós, agarrou nela pelas extremidades e estico-a tanto até se desfazer em duas por cima da sua cabeça onde ele se pode deliciar com os seus órgãos e sangue. Tudo aconteceu tão rápido que nem tive tempo para suster o vomito, não comia nada á algum tempo, portanto foi algo pior do que eu imaginava, quando voltei a olhar só restavam os restos da nossa desafiadora, cada um para o seu lado e o rapaz entre eles dormia sossegadamente.
Abanei a cabeça para me livrar da vertigem que esta imagem tenebrosa me tinha causado, gritei para a Kaly me acompanhar e então ambos corremos pelo caminho magico. Uma gruta apareceu perante nós, perdi todos os medos e duvidas e corri cada vez mais rápido. Ao entrar na gruta, deparei-me com um pequeníssimo corredor de gelo, tentei travar mas fui com o focinho ao chão, deslizando até à pequena sala onde o corredor acabava. Levantei-me com dificuldade devido ao chão gelado debaixo de mim mas os meus músculos congelaram muito para alem que o frio da caverna era capaz quando finalmente dei atenção ao que estava perante mim.
Num enorme trono de gelo, uma mulher. Uma mulher com um delicado vestido de seda vermelho, com as pernas cruzadas numa posição sensual. Uma mulher com um sorriso diabólico que não mostrava um ínfimo de bondade. Uma mulher com um cabelo vermelho como o próprio sangue. Uma mulher que tinha sido apresentada para mim, como Xana…

domingo, março 23, 2008

Algo brilhante

so para se recordarem:

http://imperialium.blogspot.com/2006/05/coisas-da-vida.html

eu escrevi isto MAS ha um promenor muito interessante! eu nao sei o k é um salpicão!! Mas pla minha conversa suponho que seja alguma especie de enchido!

ass: Rumba, turkunikovo ou No_Imagination

O que é o periodo fertil (e mais)

Então isto sem rodeios começa assim:

Numa aula em que se está a dar gravidezes e partos:

Aluna: Professora…. O que é o período fértil!?

Professora que não tinha qualquer tipo de preparação psicológica para ouvir uma pergunta destas feita por uma aluna sua que tem 20 e qualquer coisa anos: ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….(tempo de espera)…………………………………….Isto é um bocado grave… uma rapariga da sua idade não saber o que isso é… eu espero que pelo menos todos os outros saibam.

Seguido disto houve uma explicação, mas tendo em conta a pessoa que fez a pergunta decidi então fazer uma explicação baseada em factos e estudos científicos de maneira a que ela pudesse perceber melhor a resposta e então aqui vai:

Então é assim: tas a imaginar a tua barriga!? Por baixo do “imbigo”, lá dentro, tu tens um coelhinho (Cabeça do coelho: Útero; Orelhas coelho: Trompas de Falópio) e este coelhinho pela altura da pascoa, mete uns ovos, ovos estes que são recolhidos por uma cegonha que os leva até Paris, à casa do Pai Natal. O pai natal mete uma etiqueta no ovo e manda-o para os gnomos fazerem uma transformação genética nos mesmos. Ora, como existem muitas mulheres durante a pascoa, e como os gnomos são poucos, e o processo de transformação não é fácil, isto demora uma porrada de tempo.

É então pela altura do natal, quando os ovos já tão crescidos que o pai natal os mete no trenó e os leva até as casas das meninas que se portaram mal durante a pascoa esse ano… isto a menos que o pai natal tenha tido fome durante este tempo todo e tenha decidido fazer uma omeleta com os ovos e aí temos uma coisa chamada aborto. Mas isso é uma conversa à parte.

Portanto e para finalizar o período fértil é a pascoa…

Agora, factores científicos para provar o que estou a dizer:

1º O coelho mete ovos!

2º O pai natal existe.

3º Paris é uma cidade.

4º As cegonhas fazem ninhos nos postes das auto-estradas.

5º O Rudolfo tem o nariz vermelho

6º A primeira historia de pai natal nasceu em Paris

7º O pai natal veste-se de vermelho para manter os ovos no seu ambiente natural

8º O pai natal é gordo por comer tanta omeleta

9º O significado de “Pascoa” é passar por cima…..

10º O significado de “Natal” é nascimento

11º e a mais importante de todas que vem provar isto tudo: Da pascoa ao natal vão 9 meses.

P.s. Desculpem qualquer erro ortográfico mas não me apeteceu corrigir.

P.p.s Podem usar este estudo cientifico para explicar aos vossos filhos de onde vêm os bebés que eu deixo.

sexta-feira, março 21, 2008

21/12/2012

O dia nasceu frio e cinzento, com vagos tons de preto aqui e ali, e de cesariana.

As pessoas que corriam no meio da rua, apressadas para ir trabalhar, faziam os possíveis para evitar os inúmeros tyranossauros-rex de 3 metros, mutados a partir de osgas na última guerra biológica, que andavam a surripiar discretamente as carteiras e malas-de-senhora aos turistas e às velhinhas.

Apesar de o aquecimento global e a falta de água terem causado a ausência de precipitação durante os três anos anteriores a esta narrativa, o Inverno Nuclear era agora responsável pela chuva abundante não só de neve tóxica, mas também de carapaus, trotinetas, decorações de Natal e passarinhos extraterrestres. Os últimos emigravam oscilantemente pelo planeta em busca da sua única fonte de alimento, o milho geneticamente modificado, causando a extinção de várias formas de vida subdesenvolvidas que dele dependiam, como as amebas, os jogadores de futebol, os professores catedráticos e os políticos.

Um outro incómodo que essas pessoas sofriam era a ocasional aceleração ou desaceleração do planeta Terra, em busca da estabilidade axial. Isto causava regularmente um desequilíbrio em massa da população humana, sincronizada com o esmagamento de pequenos insectos dípteros. Foi, no entanto, uma melhoria significativa em relação a quem afirmava que essa alteração dar-se-ia em apenas algumas horas, aniquilando todos os seres-vivos. Pior do que a total extinção, as pessoas que corriam no meio da rua deixaram de poder usar andas para ir para o emprego, e o sindicato dos palhaços animadores de rua anunciou greves constantes até que a Terra decidisse deixar de rodar como uma anormal.

O cáustico nevoeiro espesso impedia, já há uns anos, as pessoas que corriam no meio da rua de correr também no meio do céu. Os aviões comerciais estavam por isso impedidos de voar, servindo agora como lares a Ursos ciborgues, que governavam grande parte do mundo usando os seus implantes biónicos. Estes implantes permitiam-lhes tocar música de discoteca aos altos berros sem a necessidade que os seus antepassados tinham de estar perto dos seus carros. Assim, eles andavam pelo meio das cidades a espalhar o infernal ruído, tornando-o na segunda causa de morte mais frequente, somente superada pelo rhinoHIV, uma mutação do vírus da sida altamente contagiosa.

Todos estes problemas surgiram com a tentativa de resolver um problema que afinal não era assim tão grave, nomeadamente o do aquecimento global. No entanto, percebeu-se tarde demais, que era pior a emenda que o soneto, ou seja, descobriu-se depois de se desenvolver artificialmente uma árvore inteligente que supostamente iria resolver o problema por produzir oxigénio por 50 árvores. Cultivaram-se em massa. Acontece que esta árvore cansou-se de trabalhar para a raça humana, que sujava tudo de mostarda durante os piqueniques, e não só não produzia oxigénio, como ainda desenvolveu hábitos maus como o de fumar e o de participar em corridas à noite. Hábitos que, somados ao frio que sentia no Inverno e que as levava a queimar árvores a sério, geravam um excesso de gases de estufa na atmosfera e contribuíam ainda mais para o aquecimento global.

Tanto aquecimento fez com que a Gronelândia derretesse, congelando a França, que também derreteu seguidamente, e o gelo de ambos fez com que 95% de Portugal fosse submerso e toda a população portuguesa fugiu para o Luxemburgo. Como nem toda a gente coube lá dentro, o estado português agora governado por professores auxiliares (a lei dita que, morrendo os políticos, quem sobe ao poder são os professores catedráticos, as amebas, em seguida os jogadores de futebol, e finalmente os professores auxiliares do ensino superior), decidiu com toda a sua justiça e equidade, que todas as pessoas cujo nome começasse por I, N, T, Q, X, G, Z, Y, K ou W, deveriam ser atiradas ao mar num ritual que visava apaziguar o Deus Neptuno, para assim se travar o aquecimento global. Como? Não sei. Sei que não adiantou muito, porque depois disso, os sobreviventes, ou seja as pessoas cujo nome começava por A, B, C, D, E, F, H, J, L, M, O, P, R, S, U, V ou que não tivessem nome, foram obrigadas a pagar uma Taxa de Sobrevivência, para além do IVA, no valor de 61% em todos os artigos que comprassem. E, pior ainda, umas horas depois, um supervulcão entrou em erupção e matou todos os restantes.

Todos, excepto os grandes, valentes, portentosos, valiosos e valorosos guerreiros e guerreira da Brigada Anti-Ursos. Eram eles: Varg, Flahur, Rumba, Neo e Anuket . Estes guerreiros lutavam há já 9 anos pela libertação da Terra e, nesses 9 anos, conseguiram imensos feitos, como engordar 50 kg por não fazerem nada a maioria desse tempo. Quando decidiram ir lutar contra os inimigos: os dinossauros, as velhinhas, as árvores poluidoras, o eixo da Terra, os pássaros, os políticos, os vulcões, a constipação venérea, os Ursos Ciborgues, o milho, a França e o aquecimento global; deu-lhes uma dor de reumático e ficaram ali a chorar e a chamar pelas suas mães.

Foi então que, do espesso nevoeiro cáustico, apareceu D. Sebastião que, olhando assim por alto, decidiu que seria o D. Duarte Pio e os seus filhos lamparinas, que deveriam prosseguir a espécie humana na Lua. Pegou neles e voou para lá com os seus sapatos-foguete. O que “O Desejado” não sabia, mas também não o podemos censurar por isso, pois não era algo do seu tempo, é que ao sair da Terra a alta velocidade é preciso ter cuidado para não se bater com a cabeça num satélite geostacionário. Infelizmente foi isso que aconteceu e, nesse mesmo dia, viram-se três estrelas cadentes num céu violeta de fim do mundo.


Hey, é um final mau, mas era isto ou havia incesto.



!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Ah e tal está névueíru.

Isto foi o que disse conforme aquele vulto se ergueu do nevoeiro. Era grande, tão grande e majestoso como 368 lápis de cera e igualmente colorido. Arrastava uma enorme saca de batatas que mastigava e depois cuspia como se fossem balas de canhão. Estava desfigurado, a sua cara tinha chupa-chupas em vez de cabelos, alhos franceses em vez de dentes e a sua cara feita que nem uma shimpa-o-mix com as pepitas de chocolate como borbulhas. A aterradora imagem avançou sobre mim com um rugido monstruoso e um bafo aquelas salsichas que servem no Campo Pequeno e disse.

- Vou-me roçar em ti que nem o mostrengo se roçou nas velas das naus!

O bafo atordoo-me, de facto, sabia que não podia enfrentar aquela monstruosidade em campo aberto e directamente. A sua cara repugnava-me e o seu hálito quase me fazia perder os sentidos. Desviei-me de duas batatas e do seu punho, de seguida saltando por uma janela, mesmo como num filme de acção.

- Sua meretriz de meia-leca! – Rugiu a besta. - Vou-te mandar com umas batatas nesse focinho e mastigar-te os ossos! E guardar a cabeça para te continuar a cuspir coisas.
- Vais ter de me apanhar primeiro, esfolar-me e deitar-me leite em cima antes que isso aconteça.

Comecei a fugir pela rua fora enquanto a besta urrou furiosamente. Só olhei para trás quando ouvi um grande estrondo, a enorme criatura tentava passar pela mesma janela que eu me tinha lançado, mas claramente era demasiado pequena para ela. Agradeci aos Deuses e aos Diabos por esse sopro de sorte e enfiei-me no beco mais estreito e escuro que encontrei.
Era noite cerrada, nem a lua e as estrelas iluminavam a cidade e as sombras estranhas misturadas com o ruído da besta tornavam a ténue luz da rua assustadora, pareciam pequenos gnomos com ancinhos que perseguiam-me incessantemente gritando “quero os meus nabos de volta!”, não devia ter roubado os nabos para aquela sopa mas por acaso a sopa estava bem boa.
Vi o enorme vulto da besta a passar em minha frente. Aqui nas sombras, parecia não ter reparado em mim, mas não podia abusar da sorte mais tarde ou mais cedo ele iria sentir o meu cheiro, tinha de o disfarçar com algo. Em frente onde me tinha sentado estava uma porta, com uma luz ténue que penetrava vagamente pela escuridão e alguém á frente. Aproximei-me e dirigi-lhe a palavra.

- Boas noites.
- Boas noites aqui? Não, aqui não há disso, apenas o podre cheiro do chocolate. – Disse a mulher que se encontrava á porta com uma voz debilitada.
- Chocolate, mas chocolate não tem cheiro podre?
- Não te enganes criatura! Eu sei bem do que falo, o nojo e a tristeza deste mundo são criados pelo chocolate. – A mulher falava com uma voz arranhada, como se possessa por fúria. Eu já me fartava desta lengalenga portanto entrei pela porta.

O som de metal entrou pelos meus ouvidos que nem pénis a entrar por uma rapariga sedenta de sexo, sim, gemi de prazer. Não entrava neste bar á um bom tempo, não mostrava a minha presença física a ninguém á um bom tempo e não podia deixar de admitir que esta reconexão com a sociedade. Sentei-me no meu local habitual e senti-me em casa, o cheiro a velas queimadas e cerveja inundou-me as narinas, se isto fosse carnal eu gritava e gemia como se maquinas me dilacerassem…
Mas não podia perder-me em pensamentos completamente fúteis, a minha vida estava em risco e eu aqui a aproveitar de sensações físicas, ás vezes o ridículo ficava-me bem. Tinha intenção de comprar uma cerveja quando de repente um indivíduo alto de longos cabelos encaracolados e óculos de sol aborda-me.

- Ora bem! A tua falta por estas paragens foi sentida! – Disse o homem com um largo sorriso.
- Não sei se foi sentida ou não, mas o que é que isso importa a si? – Questionei com alguma dúvida em relação aquela personagem.
- Muito, de facto, é que sabe, eu…
- Espera lá, não és o Lunático?
- Não! Não!! Que ideia é essa… ahah!... Ah… eu sou... Quer dizer, o meu nome é… ahmm… Amílcar, ahmmm Amílcar Dionísio – Disse o suposto Dionísio, tentando esconder-se por detrás dos óculos. - E tenho uma graaaaave e aterrorizadora mensagem para si!!! Buuuh!! Terror!
- E qual é? – Interroguei
- Sopa de alho francês é boa como entrada para um bacalhau á lagareiro. – Anunciou de seguida quedando-se em silencio.
- Só isso? – Sinceramente esperava por algo mais não só um palpite culinário.
- Sim só isso. – Por mais um momento Amílcar continuou em silencio com o seu olhar satisfeito por detrás daqueles óculos escuros até que como se atacado por um taser deu um enorme pulo e gritou apontado para a direita. – Tenho de ir ali.

Livre deste falso Messias levantei-me rapidamente e pedi uma caneca de meio litro de cerveja, bebi um terço e despejei o resto em cima de mim. Comigo e com a roupa a pingar aquela doce bebida douirada voltei para a rua, as conversas que tinha tido agora, que apesar de não terem sentido nenhum, inspiraram-me para voltar á caçada.
Respirei o a gélido da noite, senti o nevoeiro a entrar-me pelas vias respiratórios. Tossi e depois tirei um pouco de saliva que tinha caído para a roupa. Mas de repente sem aviso, o rugido ensurdecedor, o bafo a salsichas e uma mão enorme com uma luva feita de serapilheira bateu-me nas costas e lançou-me contra a parede. Levantei-me com custo conforme tijolos caiam em cima de mim.

- Vou-te meter uma batata pela boca a dentro e fazer de ti puré de batata! – Gritou e em seguida rugiu, fazendo-me sentir pedaços da sua saliva a tocarem-me no rosto.

Peguei num dos tijolos que tinham caído em cima de mim e meti toda a minha fúria nele. Arremessei-o contra a besta, que nem teve tempo para reagir. O tijolo raspou-lhe na cara arrancando-lhe um bom pedaço de bolacha e algumas pepitas de chocolate. Ele agarrou-se á sua frita e guinchou de agonia, algo que me fez instintivamente gritar-lhe uma frase para parecer bádearse.

- Mete leite nisso! – Após ter gritado, a frase pareceu-me estupidamente ridícula.

A criatura nem teve tempo de se sentir magoada com a brincadeira pós meteu logo outra batata na boca cuspindo-a. Desviei-me á distância de uma unha rebolando pelo chão, mas antes de eu voltar a ganhar balanço, o enorme colosso lançou-se sobre mim de ombro. Embateu em mim e a única coisa que senti foi a parede atrás de mim á quebrar conforme entravamos dentro do edifício. Já sem força, a criatura encostou-me contra a parede oposta de onde tínhamos entrado. Ficamos olhos nos olhos, ambos respirando ofegantemente, cada um contemplado o seu adversário durante breves segundos. Eu sabia que tinha de agir e então sem pensar no que faria, peguei num alho francês que servia de dentição ao monstro e quebrei-o. Ele afastou-se logo e lançou um sôfrego ganido. Rapidamente corri pelos seus braços, grossos como troncos de árvores e saltei para cima da cabeça onde arranquei um punhado de chupa-chupas. Dando um mortal para trás, lancei-os contra as costas do meu inimigo que lhe ficaram cravados lá. A monstruosidade soltou outro rugido sentido a dor aguda de chupa-chupas a cravarem-se nas suas costas.

- Vamos acabar com isto. Não és adversário á minha altura! – Berrei com todo o ar dos meus pulmões.
- Achas mesmo? – Bramiu a criatura enquanto se ria – Tu ainda não me fizeste mais nada do que me arranhar gatinha! Muahahah irei arrancar-te o cérebro e comer-te a pele.
- Diz-me! O que vais fazer mais? – Perguntei enquanto uma pequena chama se formava na minha mão, atirar-me com mais batatas ou caramelos para me colares?

Sem resposta e sem aviso a criatura virou-se e lançou-me o saco de batatas. Muitas atingiram-me deixando más nódoas negras, mas mesmo assim consegui-me esquivar para trás de uma máquina estranha.

- Onde estás, lagarta? Onde estás para eu te arrancar as penas?
Este gajo já não está a fazer sentido, pensei eu tentando superar a dor, recuperar o folgo e fazer o mínimo barulho possível. No entanto as minhas tentativas de me manter em silencio falharam pois duas mãos envolveram a maquina onde eu me escondia e arrancaram-na do chão levantando-a acima da cabeça. Estremeci ao ver aquela força e o sorriso nefasto daquela criatura.

- Vou-te esmagar lagarta! – Disse o monstro com o seu sorriso triunfante.

Se tivesse fechado os olhos neste momento, não teria sentido medo, mas no entanto, o medo deu-me o meu último movimento desesperado. Na máquina a frase “Sopa de Alho Francês” estava por cima de uma enorme torneira. Ganhei força nas pernas e saltei outra vez para cima da cabeça do monstro, arranquei-lhe um chupa e meti-o na boca, peguei na torneira e rodei ao máximo, a sopa começou a escorrer, caindo em cima do monstro e para meu espanto ele gritou em dor, senti as suas forças a mirrarem conforme o seu corpo colossal começava a oscilar com o meu peso e o do contentor. Saltei de cima dele e num ultimo desesperado ataque ele tenta lançar o contentor para cima de mim. Este cai a centímetros de mim. Em pânico sem qualquer força restante, a criatura lançou-se numa correria desesperada e sem sentido, berrando e chorando. Eu limitei-me a recuperar o folgo e voltar para o bar, de volta lá dentro a sensação de bem estar envolveu-me as dores corriam-me o corpo, mas nada importava desde que uma boa bebida estivesse á minha frente. Senti-me, relaxei, isto sim era boa vida, apenas tive mais uma pequena interrupção mas até essa me deu um sorriso na cara.

- Ah! Estás viva, o que andaste a fazer hoje Cassandra? – Perguntou o Varg
- Eh, nada de especial, lutar e ridicularizar lendas Portuguesas encharcar-me em cerveja, foi bem bom.

Entretanto, longe, bem longe, em Alcácer Quibir a besta restabelecia as suas forças com sopa de feijão, cada colher dava-lhe mais força e fúria, em breve, muito em breve, esta luta iria recomeçar.

sábado, janeiro 05, 2008

Fé versus esquizofrenia

Desde pequena sempre ouvi toda a gente dizer que ia cumprir promessas a Fátima e tal (leia-se gastar dinheiro em velas que ao derreterem dão origem a outras e dão dinheiro à igreja,também se faz figuras tristes como andar de joelhos para que alguém querido melhore de uma doença, por exemplo, mas leva-se a vida a tentar "lixar os outros" e já agora também se passa o ano inteiro a fazer "desporto de sofá" e dia 13 de Maio lá decidem caminhar para ver a tal Santa...), tudo isto pela fé!!!


Mas fé em quê?



Bem aquele luxo todo que há nas igrejas que serve certamente para alimentar os "pobrezinhos" veio por milagre, certo?!



E já agora, será que os três pastorinhos viram mesmo Fátima?



Bem, a minha teoria aponta para um diagnóstico de esquizofrenia, pois esta não só se manifesta inicialmente na adolescência como tem como sintomas alucinações visuais e auditivas e numa cultura com base na religião católica tal coisa foi fácilmente aceite. Isto parece-me delirante!!!


Eles eram esquizofrénicos!!!



A outra opção, é que a pastorinha inventou isto tudo para os pais a deixarem ir para freira e esta não ter que casar com o homem mais velho e rico que lhe estava prometido...


Por isso já sabem, se virem
Deus ou algo assim, ou ele existe (cof cof), ou então caso os sintomas persistam por um período de um mês com estes sinais de perturbação durante pelo menos 6 meses comecem a ver/rever "Uma mente brilhante" para saberem o que vos pode vir a ser semelhante!





God bless you!


Anuket*

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Da tua amada que gosta de chocolates quentes de almada


Nerzhul
Gosto de ti,
Até quando te vestes de azul.

És as letras que inspiram o meu “postar”
Por favor não me mandes pastar.

Querias competir num post idiota,
Pois toma lá este
Oh minha coisa janota.

Epa existem tantas coisas que rimam com idiota,
Gostas de compota?
Não sei mas o aeroporto realmente não deveria ir para a OTA.


Estou a ficar com uma psicose…
Ose…
Ose…
Ose…
Quero de ti uma overdose!

Fim do post idiota!

quarta-feira, outubro 31, 2007

Stress Maligno I & II

Stress Maligno I:

- Parte 1

- Parte 2

- Soundtrack



Stress Maligno II:

- Parte 1

- Parte 2

- Soundtrack

terça-feira, junho 05, 2007

Saga Da Lua

Sementes de Melancolia

As dúvidas começavam a ser ainda mais fortes conforme o sol fazia o seu longo e demorado caminho pelo céu, não me deixavam vê-la, falavam-me que o seu sangue tinha despertado e que precisava de ser limpo. O Yorgsh mantinha-se num silêncio mortificante e numa tristeza imensa, enquanto que a sua esposa era movida por um ódio desconhecido e á muito adormecido, fazendo-a organizar toda a cerimónia que cada vez mais me parecia mais como uma execução pública.

“Para o bem da Unga e para que esta cerimonia corra bem, ela não pode ter contacto nenhum com o exterior durante 5 dias, tem de permanecer na tenta cerimonial e deixar o seu corpo sucumbir, enfraquecendo assim os agentes do mal que residem dentro dela”

Foi isto que Urnia me disse para me afastar, para me manter controlado, mas tudo parecia estar a correr mal, cada vez sentia mais que algo estava errado. Porque é que até á altura tudo estava bem e depois da morte dos dois rapazes esta vida que parecia simples caiu em desgraça? Que acusações foram aquelas que a Urnia lançou a Kandia e as que esta por sua parte lançou á sua sobrinha? Não fazia sentido nenhum, não conseguia entender o que se passava e já que ninguém me dava as respostas, decidi eu ir procurá-las. Esperei até o sol se pôr, diverti-me a contar quantos pelos tinha no corpo e correr atrás de galinhas e outros animais inferiores como um simples cão, mas quando o momento chegou, esgueirei-me pela atenta vigia dos dois guardas que estavam a emitir sons ameaçadores de roncos e consegui entrar na tal tenda. Podia dizer que não esperava o que vi, mas tal coisa nunca passaria pela cabeça de ninguém, dentro daquela pequena casa de palha, apenas se encontrava lá uma escadaria feita em pedra que abria passagem para o interior da terra. Desci esses degraus e senti o ar húmido e abafado da terra, avancei pela gruta que parecia ter sido escavada á muitos anos atrás, os corredores estavam repletos de estranhas figuras monstruosas esculpidas na própria terra, flamingos, ursos, um esquilo ou outro e umas coisas que pareciam o cruzamento entre uma codorniz, uma tartaruga e uma barra energética. Essas figuras iluminadas por várias tochas emitiam sombras aterradoras que envolviam a gruta – sim, sombras ainda mais aterradoras que as próprias estatuas – fazendo-me arrepiar o pelo. Estalactites desciam do tecto ameaçando cair a qualquer altura no chão daquela caverna e conforme eu ia avançando, o ar ficava mais abafado e difícil de respirar e um suave calor emanava do chão. Eu estava a deixar-me embalar por todos esses sentidos até que cheguei ao meu destino, no centro de uma enorme sala estava uma pedra, acorrentada a essa pedra estava a Unga, coberta com alcatrão que lhe desenhava estranhos padrões na pele, a pele em volta dessas marcas estava queimada e os seus olhos estavam vermelhos, cheios de dor e tristeza jorravam lágrimas que escorriam como um rio, constantes e imparáveis. Eu aproximei-me com as patas trémulas de emoção, pisando num chão banhado com pétalas de flores, que pareciam querer dar um ambiente festivo ao espectáculo grotesco que era este ritual. Cheguei perto da Unga, senti o cheiro intoxicante do alcatrão misturado com o aroma perfumado das flores e o odor da carne queimada, parecia que queria entrar em pânico mas uma força superior controlava-me a manter a serenidade superficial e tive de esforçar-me ainda mais quando ela olhou para mim, com os olhos pesados e avermelhados de tanto chorar.

- Skor, desculpa…
- Estás a pedir desculpa de quê? A única pessoa que devia pedir desculpa era a tua mãe por te ter condenado a isto. – Enquanto falava desloquei-me para perto das correntes que prendiam os seus braços e tentei arrancá-las com os meus dentes.
- não te esforces Skor, essas corrente são abençoadas, por mais que tentes não as conseguirás partir. – Elas provavam-se difíceis de arrancar, que eu nem queria pensar em quebrar. E assim desisti.
- Mas Unga, isto é tortura, o que estás a sofrer não se justifica!
- Justifica-se sim lobinho. – Apesar da dor que ela passava a sua voz suou doce como sempre. – O meu sangue não é puro, devo sofrer estas provas… porque se não…
- Tu não acreditas no que estás a dizer! Passar por isto? Para? Para quê?

Ela começou a chorar mais fortemente e eu reparei que tinha tocado numa ferida.

- Não! Não acredito! – Gritou ela – Isto é bárbaro e eu amo a minha família, nunca lhes faria nada de mal! Mas no entanto eles insistem nisto. Como os posso perdoar?

Os seus gritos não são ouvidos somente por mim, pois os guardas roncantes, mais Urnia apareciam por trás de mim e agarravam-me enquanto a matriarca gritava:

- Como te atrevestes a profanar este santuário, criatura desprezível! – Pelo que parece ela tinha mudado muito desde a primeira vez que a tinha visto. – Irás ser exilado desta aldeia, nunca mais quero ver esse focinho nojento á minha frente.
- Skor! Não lhe façam isso! Não me deixes! – Gritou a Unga com um desespero e dor na voz que até a mim me feriu só de ouvir, mas no entanto a sua mãe estava insensível e completamente abstraida da dor da filha.

Fui arrastado, puxado pelo pêlo por entre as paredes horripilantes da gruta, pelas ruas empoeiradas da aldeia como um troféu de caça ou de guerra, fechei os olhos e abstrai-me da realidade, por esses momentos em que o meu corpo batia em pedras, o meu pêlo era arrancado e a minha pele rasgada, fechei os olhos á multidão que olhava em choque, ás mentiras que eram cuspidas da boca da Undria, da dor, mas não de uma coisa, de que maneira fosse, eu iria soltar a Unga.
Senti o meu corpo a ser elevado e depois projectado, abri os olhos no momento errado, pois a única coisa que pude ver foi terra antes de embater contra ela, rebolei pelo chão e quando parei consegui levantar-me, sentia-me dorido mas isso não chegou.

- Vai! E nunca mais voltes rafeiro!

Engraçado que quem desta vez falava não era Undria mas sim Torg, parece que ele não tinha perdido tempo em deixar o que fazia para me ver cair em desgraça com um sorriso de vitória na cara.

Derrotado e humilhado, levanto-me e começo a afastar-me da aldeia acompanhando, se bem que a uma certa distancia, por Yorgsh, silencioso como nunca o tinha visto antes após estes acontecimentos. Algo enervado pela sua perseguição e também um pouco por nada ter feito para me defender viro-me para trás e confronto-o.

- Porque me segues? Pensei que vocês tinham deixado bem claro que não me queriam na vossa aldeia.
- Nos? – Diz o Yorgsh pausadamente, agora é que eu reparava que ele estava debilitado e os anos pesavam bastante nos seus ombros. – Devo-te relembrar caro lobo, que também a Unga é uma de nós e no entanto vistes como ela está a ser tratada.
- Não aprovas, estou a ver.
- Não! É claro que não aprovo, é a minha filha e se o Broko não recuperar, será a minha única descendente.
- Então porque permitiste isto? Porque deixaste que ela fosse torturada daquela maneira?
- Silencio – Interrompe-me ele com um tom de voz ferido. – Se procuras respostas vai ter com a minha irmã.
- Mas ela foi banida da aldeia pela tua… - de repente notei que este era o objectivo de Yorgsh aqui - espera lá o que me estás a querer dizer?
- Há uma presença maligna sobre nós e temo que ela se tenha apoderado da minha amada, mas como disse a minha irmã poderá dizer-te mais sobre isto.
- Mas… para… tu sabes para onde ela foi?
- Ela sempre foi uma bruxa e sempre será uma bruxa, terra é onde andamos, ar é o que respiramos, fogo ela sabe fazer muito bem… agora água… segue o cheiro a água Skor e encontrarás o que procuras… – Ao dizer isto ele começa a afastar-se enquanto eu continuo a fixa-lo, nem sabendo com que intuito, ou o que fazer. E ele acaba por terminar a sua frase – E com sorte, talvez salves a minha filha.

Estas palavras não me ajudaram nada, “segue o cheiro da água, onde é que isso me irá ajudar?” pensei, eu nem sequer sabia que a água tinha cheiro. Porque é que estas personagens típicas de histórias épicas só sabem falar em charadas.

Mas não tinha outra escolha, comecei a farejar o ar em busca do cheiro a água e de tão concentrado que estava nessa busca acabei por entrar na floresta de onde apareci, andei ás voltas pela densa folhagem, que talvez não fosse tão má se eu apenas me pudesse levantar e caminhar como um troll. Mas talvez por sorte ou mesmo por destino acabo por voltar ao mesmo lago onde me vi pela primeira vez, privado de memórias e um lobo que fala… também o mesmo sitio onde encontrei a Unga… os pensamentos podiam me perturbar a mente mas mantinha-se o facto que agora se encontrava uma casa perto do lago, feita em madeira, mas não construída, parecia que a própria natureza tinha se dobrado para formar aquela casa era tosca, mas robusta, parecia ser feita apenas das raízes das grandes arvores daquela floresta, tinha uma pequena chaminé que fumegava e uma luz saia das janelas. Como se isso não chegasse para comprovar que estava lá alguém, gritos, injúrias e outro tipo de lamentações ecoavam de lá de dentro.

Eu corri para a casa, com medo do que pudesse acontecer á minha fonte de informação, mas quando cheguei deparei-me com uma discussão algo… estranha. A Kandia estava a discutir com uma mulher algo bizarra, era bem mais baixa que a Kandia, estava vestida em túnicas negras, tinha a pele cinzenta, os seus dedos pareciam transformados em garras, tinha o cabelo negro com um tom pouco natural de azul, os seus olhos brilhavam numa cor amarela brilhante, como se fosse um fogo que queria escapar do interior do seu crânio. Ao eu entrar ela olha para mim e o seu rosto ganha uma expressão algo aflita e então continua a sua discussão.

- Estás a ver? Até a porcaria da fauna está a sentir este cheiro, não foi isto que eu te tinha pedido.
- Minha querida amiga, eu só te ajudei a concretizar o teu ultimo desejo e alegra-te, és tu mesma que o vais realizar, não nenhum terceiro. E para alem do mais, o Skor é inofensivo.
- Ah, então ainda por cima é teu animal de estimação. – Com esse comentário, a Kandia solta uma valente gargalhada.
- Eu não sou animal de estimação de ninguém – Replico, deixando a estranha mulher a olhar algo chocada para mim. – Quanto menos inofensivo.
- Ele fala. – Diz a mulher olhando em alternância para mim e para a Kandia. – O lobo fala.
- Claro que fala, tu também falas não é? – Responde-lhe a Kandia.
- Sim, mas…
- Chega de mas e meios mas, Kandia, o Yo… - interrompo
- Sim, eu sei Skor, o Yorgsh mandou-te vir ter comigo pois julga que eu tenho informações que te possam ajudar a salvar a sua filha, ora bem, entra e eu vou-te dizer tudo o que sei. Tu senta-te Kaly.

Aparentemente Kaly era o nome da mulher que se encontrava com a troll. Fiz como ela disse entrei e sentei-me perto da lareira da casa, a humidade da floresta colava-se ao pelo e eu sentia-me algo fresco demais com isto, a Kaly sentou-se num pequeno banco, quase afundando a sua cara entre as pernas puxou o cabelo para trás e respirou fundo, enquanto isto a Kandia pegou num cachimbo, enche-o de ervas e acendeu-o, sentou-se em cima da sua mesa e puxou o fumo do seu cachimbo esperando um largo espaço de tempo antes de o expirar. Parece que se sentia pronta para falar.

domingo, abril 08, 2007

God's Evil Army - Inquisitor Metal

Carreguem AQUI para fazerem o download do primeiro e último album dos GEA, a provavelmente única banda de Thrash/ Death/ Unblack Metal em Portugal.
E porquê o último? Ora bem...

O Torturer um dia embebedou-se, durante as gravações, e meteu-se com a Selenia, a nossa guitarrista. E a reacção dela foi a seguinte: BANG! Guitarra na cabeça do baixista careca!
Neste momento ela está presa e o Torturer a correr risco de vida. Contaram-nos que a pancada até lhe fez um galo na cabeça... Ele, mesmo que sobreviva, nunca mais vai ser o mesmo, coitado.

Portanto... O bonus CD que vem com este album (que é composto apenas por 5 instrumentais) não tem baixo e nem a contribuição de Selenia. As musicas foram gravadas apenas por mim, pelo Kriomn, pelo Staeb e pelo Colossus. Este último viu-se mais à vontade para gravar duelos de solos de guitarra, usando técnicas malucas que incluíam tocar com os dentes, com os dedos dos pés e fazer acordes com o cotovelo.

Resumindo: não temos baixista e não saberemos se ele recupera e nem quando; não temos guitarrista, pois ela ainda está à espera de ir a julgamento;

E para terminar, não quero trabalhar mais com o Padre Kriomn... Ele é um mau produtor! Não controlou bem os volumes, obrigou-me a fazer as vocals logo ao primeiro take, gozava com o Staeb constantemente e só andava na beijoquice com a Tina!

Para além do mais acho que o Colossus não me gramava nada por eu "compor só baladas" (palavras dele). Acho que ele também não gostou nada de eu tê-lo creditado como "Kolossus" na demo de Natal... Bah!

Mas bem, desejo uma boa Páscoa a todos os leitores e Imperialistas incluindo a recém chegada Miss Sama que a liko apesar de ela me hatar como tudo!

God bless you all!

terça-feira, março 20, 2007

Saga da Lua

Sementes de Melancolia

Pouco tempo tinha passado depois da batalha, por volta de 3 horas não mais e os preparativos para o funeral do falecido filho de Yorgsh já estavam bastante avançados, a família estava toda de luto e moral em baixo e entre o momento em que acordei e o funeral permaneci no quarto de Unga entre os braços dela, sentindo as suas lágrimas a ensopar-me o pelo. Na altura do ritual, a Unga recusou-se a comparecer quando a mãe a chamou, mas no fim consegui convence-la a ir por respeito ao irmão.
A tribo toda tinha se reunida em respeito ao falecido futuro líder, suas roupas e bens pessoais jaziam em torno dele, em cima de uma pira. Estava marcado com runas pintadas com sangue de animais e estava coberto de adornos de folhas e flores em seus pulsos, parecia tão em paz que fazia esquecer que estava morto, apenas parecia descansar para uma nova jornada.

No entanto fora da minha percepção, conhecimento e até memoria, em terras mais distantes do que alguma vez se tinha imaginado que o mundo pudesse albergar, abaixo desta terra guerras intermináveis e abaixo do território Imperialium, num reino esquecido do resto do mundo os problemas começavam a levantar-se.

- Princesa, os piratas voltaram a atacar a fronteira, os reinados do sul aliaram-se contra nós, temos de reagir! – Falava um homem de porte elegante mas com roupas empoeiradas e tão negras como o seu cabelo, tendo ás suas costas uma viola.
- Eu sei Pinguças...

A princesa esfregava a testa enquanto passava a mão por uma espada de um guerreiro perdido, até que ergueu a cabeça com falsa esperança ao ouvir a porta de entrada para a sala de trono. Quem surgiu dela foi Flahur, um homem alto, com um aspecto feroz, tão sábio quanto forte, era cego de um olho, tinha longos cabelos cinzentos e vestia uma couraça de um azul tão negro quanto um céu tempestuoso acompanhado por duas raparigas gémeas com grandes asas negras. Apesar de contente com o reaparecimento deste velho amigo e tutor, a princesa não se sentia aliviada

- Já não era sem tempo, já estava farto de substituir por ti. – Afirma Pinguças. O velho sábio não responde e continua a avançar, ajoelhando-se á frente da princesa sentada no trono.
- Princesa, eu servi a si e ao seu pai durante décadas da minha vida mas...
- Flahur, o que vais dizer? Eu só estava a brincar com aquilo. – Diz Pinguças temendo as próximas palavras.
- … Não tenho nada contra ti amigo, mas, os meus ossos já estão doridos e já não consigo atender ao chamamento de batalha, desejaria retirar-me…
- estás a brincar rapaz! Nós precisamos de ti mais agora que nunca…
- Silencio! – Interrompe a princesa. – Flahur, velho mestre, companheiro, conselheiro e amigo, mais que ninguém neste reino sacrificou tanto, fostes sempre e completamente devoto ao meu pai e consequentemente a mim. Se esse é o teu desejo, estás livre.

Flahur desembainhou a sua espada e presenteou o cabo á princesa enquanto que ao mesmo tempo as duas raparigas começavam a remover a armadura do guerreiro ao mesmo tempo que o bardo observava, mortificado a desistência de um dos seus mais fiéis amigos.

- Este reino já me deu tanto, que torna este gesto insignificante, mas entrego á minha pátria a minha força e resistência.
- Não. – Nega a princesa empurrando ligeiramente o cabo de volta para o seu dono. – se há uma coisa que o meu pai me ensinou, é que nunca se deve roubar a dignidade a uma pessoa eu sei, que ele nunca seguiu isso á letra, mas a ti ele nunca te roubaria a dignidade fizesses o que fizesses, leva a arma, leva a armadura, leva qual tesouro quiseres e serás sempre bem vindo a este castelo. Que o tempo te guie a caminhos seguros.

Com essas palavras, as duas raparigas repõem a armadura ao seu senhor e seguem-no na sua saída carregando com ele um sorriso triste nos lábios. Assim que o guerreiro saiu do salão, a princesa contorceu-se no trono contendo as lágrimas de um sentimento de abandono.

- Uma musica, Sothys?

Ela nada disse, apenas abanou a cabeça. E assim as notas e palavras de uma musica de gloria antiga e esperança futura ecoaram pela sala de trono ecoaram pela sala de trono e escaparam por uma janela envolvidas no vento que transportou-as para alem do horizonte. Notas que perderam a melodia por entre sopas de ursos de gomas e palavras que perderam o sentido por entre aves a engatarem miúdas demasiado novas para entrarem na televisão até chegarem como uma melodia triste e melancólica ao triste norte.
Triste neste dia após o funeral, o jovem Grizaldo tinha-se perdido num mar de fumo e de chamas e as suas cinzas guardadas numa cripta, assim a sua espada e um colar que a sua irmã lhe tinha feito. A família de Unga tinha voltado para a sua casa, tristes e desolados, ainda por cima quando o seu outro filho de nome incerto estava sem mostrar sinais de consciência. Mas para alem do que eu pudesse esperar, algo para alem de tristeza despoletava naquela casa, uma raiva antiga e esquecida que se reacendia como um braseiro espicaçado fazendo as acusações surgir

- A culpa é toda tua Kandia! – Acusou a mãe de Unga
- Minha? Onde é que a culpa disto é minha? Eu tentei prevenir isto.
- E de muito serviu, viu-se não se viu? Um dos meus filhos está morto e outro, sabe-se lá se os deuses vão poupa-lo!
- Mas pelo menos não fiquei parada com medo do destino como tu cunhada!
- Como te atreves. – Nesse momento Urnia deu uma chapada na cara da sua cunhada, fazendo-a quase perder o balanço e pondo-a a rosnar que nem um animal selvagem por entre os seus dentes fechados e caninos aguçados. Foi nesse momento que eu reparei que Kandia não era como os outros Trolls e a Urnia ajudou-me a perceber isso com as seguintes palavras. – Sai da minha casa bruxa! Sai! E nunca mais voltes a pôr cá os pés.
- Bruxa? Ah! Se eu sou bruxa a tua filha não é menos que eu. – O tom saiu tão frio e cruel que até a mim me fez gelar e quando olhei para o meu lado só consegui ver o cabelo vermelho da Unga a desaparecer para dentro do seu quarto.
- Já chega. – Gritou Yorgsh. – Kandia, eu não te culpo por nada, mas para o melhor de todos, sai desta casa.

Não fiquei para ouvir as próximas palavras, pois esgueirei-me para dentro do quarto de Unga. Encontrei-a na cama com um cigarro apagado, uma parede pintada e um lençol dobrado, um caranguejo guerreiro com um sabre cromado, qualquer descrição manhosa e o resto é sina!

… continuando...

A Unga estava na cama chorando compulsivamente e eu fui obrigado a esquecer qualquer questão ou qualquer sentimento de culpa gerado nestes últimos momentos, subi para cima da cama e encostei-me a ela, que hesitou um pouco antes de me abraças e puxar-me gentilmente para baixo conforme se deitara.

- Desculpa lobinho, desculpa isto tudo…
- Não tens de me pedir desculpas por nada, fizestes-me mais bem do que eu alguma vez podia esperar. – Murmurei.

Ainda jorrando algumas lágrimas ela acabou por adormecer abraçada a mim e eu também não tardei em adormecer, embalado pela imagem doce daquela amiga azul descansando num mundo menos cruel fez-me deslizar rapidamente com ela. Mas o sono não foi descanso, pois segundos após fechar os olhos voltei a abri-los e vislumbrei uma figura que me fez estremecer, pois quem estava sentada na cama era uma das raparigas da minha, que eu até agora pensava ser, alucinação. Tinha sido a segunda a aparecer e aquela que me tinha abraçado agora podia vê-la bem, sua pele era branca e pura como a superfície lunar, seus longos cabelos negros desciam-lhe pela cara em tranças como suaves sedas pela suas belas e jovens feições e quando ela viu a minha surpresa começou a falar com uma voz tão fresca quanto bonita.

- Não tenhas medo, eu sei que isto deve estar a ser bastante confuso para ti mas acredita que estou aqui para te ajudar.
- E… e quem és tu? – Perguntei nervoso.
- Oh, tão mal educada que eu estou a ser, o meu nome é Créstia.
- Eu só posso estar a sonhar – Reclamei.
- E estás, portanto ouve-me que o meu tempo é curto. – Explica ela deixando-me algo mais chocado. - Tens pouco tempo, mas se subires á Montanha da Lua terás as explicações que precisas, talvez até consiga ajudar com a tua memória.
- Um sonho? Não entendo, explica-me agora!
- Agora não posso e despacha-te! Não temos muito tempo, a minha irmã está quase a chegar.
- A tua irmã?
- Sim, somos quatro irmãs, a pequena é a Nova, a que tu já conhecestes chama-se Ming Te, ela é a mais velha e depois… - ela silenciou-se como se temesse mencionar o próximo nome.
- E depois? Quem é? É a de cabelo vermelho? – ela baixou os seus olhos e continuou com o mesmo pesar.
- Essa é a Xana, tem cuidado com ela, eu não sei o que ela está a tramar ma….


- Skor!!

Acordo com um susto enorme ao ouvir a Unga a gritar por mim e quando acordo reparo num troll, cheio de runas desenhadas na sua pele e nas vestes estranhas que usava, a arrastar a Unga pela porta enquanto os seus pais olhavam para o espectáculo impávidos e serenos. Eu salto para o chão e rosno:

- O que é que estão a fazer-lhe!
- É para o bem dela Skor. – Responde-me a Urnia – é um ritual usado á gerações pela nossa tribo para limpar o sangue impuro.

Apesar da sua mãe me assegurar o grito de desespero e assustado da troll a quem eu devo a vida ecoava na minha cabeça, algo tinha de ser feito.

- Skor não os deixes fazer isto!

sábado, março 10, 2007

Crianças divertem-se

(este post é a continuação/resposta a um post da Anuket que pode ser encontrado aqui. A série toda, por ordem inversa, encontra-se aqui.)




PARTE 1: A Missão Divina.




neo (aos berros): Oh mãe!! Fiz um dói-dói na cabeeeçaaaaa!

Foi o que gritei depois de ter dado uma espalhafatosa queda nos patins, causada pela sabotagem profissional feita pela Anuket, ao desprender aquele coiso que prende as rodas.

neo: Mããããe!!!

A Anuket é a Gazela Imperialista. Ela é má pessoa, é desajeitada, gosta de pensar que não é fofa e é incapaz de competir comigo, por isso estraga-me os patins para me fazer cair.

neo: Ohhhhhh Mãããããããããããe!!!!

O que pouca gente sabe é que ela própria também cai regularmente. Quando o faz, começa a dizer que fica zonza do nariz (que surpresa...) e a zonzice começa lentamente a subir-lhe para a testa enquanto as dores a fazem delirar e a deixam a rir que nem uma parvinha.

neo: MMMMAAAAAAANNNNNHHHHHHHEEEEEE!!!!!

Eu diria que a única coisa que a Anuket faz minimamente bem é ser minha inimiga, embora mesmo nisso ela tem sérias falhas, pois já me salvou várias vezes de morte certa, dá-me boleia ocasionalmente e, como se não bastasse, quer andar comigo ao colo e acha que eu sou boa pessoa.

neo (desmaiando): ...*fiiiiiiuu*... *póing!!*

E após aqueles quatro ou cinco gritos de desespero, o agora inconsciente neopinguim esvaía-se em sangue com a cabeça rachada. Tudo isto porque a Dona Anuket, “mãe de todos os Imperialistas”, não foi capaz de acudir em seu socorro. Porém, não pensem que isto foi uma demonstração de ódio por ele. Foi antes uma demonstração da sua incapacidade maternal e da sua falta de responsabilidade, porque ela até é fofa!

Instantes depois de o neopinguim ter desmaiado, a Anuket foi-se embora com o seu dragão papa-formigas mostrar-lhe as fotos fofas que tem no hi5.


Felizmente para o neo, “Aquela Coisa” do OVNI percebeu que tinha sido aldrabada pela Anuket, quando esta fugiu sem lhe dar o seu telemóvel e regressou do espaço para ajustar contas com ela. A Coisa alienígena, vendo o neo desmaiado no chão, pegou nele e levou-o para dentro do seu Disco Voador, onde o curou com uma escova de dentes futurista que, para além de curar fracturas cranianas, também fazia folhados mistos e pastéis de bacalhau e até resolvia equações diferenciais de terceiro grau. Não dava era para escovar os dentes.

neo (levantando-se): Estou curado! Como poderei alguma vez agradecer-te?
Coisa: Casa com a minha filha! Nós só voltámos à Terra porque ela me obrigou!
neo: Então não foi por causa da falta do telemóvel?
Coisa: Achas? Eu queria lá o telemóvel para alguma coisa... Eu até pagava para me ver livre da nhónhó da Anuket...
neo (com sensações no estômago): Hey!! Vê lá o que dizes!
Coisa: Ok... ok... Então casas com a minha filha ou não?
neo: O que é que ganho com isso?
Coisa: Eu salvei-te a vida! O que aconteceu ao “Como poderei agradecer-te?”?
neo: Quando foi isso? Não me lembro..
Coisa: Bah.
neo: Caso-me com ela se me deres a tua nave espacial.
Coisa: E vou para casa como?
neo: Chamas um táxi.
Coisa: Táxi para Marte?
neo: Chamas dois táxis.
Coisa: Combinado. E casas com ela?
neo: Caso.


A Coisa lá se foi embora e deixou-me o OVNI com a sua filha lá dentro e um manual de instruções com um número de páginas inquantificável por métodos humanos. Como o português que é bom português nunca lê manuais de instruções, tentei pegar logo no Disco Voador e, carregando em vários botões ao acaso, dei por mim a voltar atrás no tempo várias horas e fui cair mesmo em frente à casa da Anuket. Ela, quando viu a aeronave planar em frente à sua varanda, deve ter sofrido um ataque cardíaco nos seus pépés pois caiu inanimada no meio do chão, de forma fofa.

Entrei pela janela e pisei-lhe o pé. Olhei em redor. As paredes do quarto estavam forradas com budas, espanta-espíritos, gomas, chocolates, flores hippie, bruxas, tralhas indígenas compradas em lojas de chineses e outras quinquilharias roubadas da sucata. Em cima da cama repousava, sentado num trono opulento esculpido em marfim, largamente adornado com ouro, platina, pedras preciosas e outras coisas brilhantes de nome francês, um Urso feio e de ar ameaçador que me rosnou assim que me viu.

“É para o bem da minha inimiga”, pensei, “Salvá-la deste urso é um mal menor em prol do nosso ódio!”

Tirei o tranquilizante da mala e carreguei uma arma que trazia no coldre, enquanto o Urso corria para me atacar. Com um gesto rápido e destro, apontei-a ao Urso e disparei-lhe um dardo que lhe acertou mesmo entre os olhos, fazendo-o cair por terra a gemer e a contorcer-se. Quando o Urso tombou, soou um alarme ensurdecedor pela casa da Anuket e vários círculos coloridos apareceram de todos os lados, voando na minha direcção. Estes diagramas de Venn disparavam números inteiros que nem metralhadoras, forçando-me a fazer uma saída teatral à James Bond, que alcancei agarrando o Urso pela perna, abrindo a janela da varanda e saltando de lá para o Disco Voador em movimento, tudo enquanto a música do Indiana Jones tocava aos altos berros no auto-rádio da nave.

Como não tenho carta de condução daquele bicho voador futurista, ainda demorei até conseguir arrancar com ele. Durante esse tempo, os diagramas de Venn saíram à rua e começaram a disparar contra a nave. Um 4236236 atingiu o flanco esquerdo da nave e um 2356 atingiu o direito, fazendo a nave oscilar descontrolada de um lado para o outro. Estávamos a perder altitude porque os escudos de electrões já estavam a ceder à pressão, quando calhei de carregar num botão que fez a nave dar um salto gigante, como se fosse sugada para o meio do vácuo, tal como acontece nos filmes antigos de cowboys zombies, em que a toda a hora naves espaciais são sugadas de um lado para o outro quando não têm mais que fazer.


Ao que parece, o Disco Voador veio parar novamente ao presente. Não ao presente quando estava no passado, na cena da casa da Anuket, mas ao presente em que estava antes. Antes, não numa perspectiva temporal, mas na perspectiva do post, que é como quem diz o presente de há vários parágrafos atrás. (Isto tudo para dizer que escrevi duas páginas inteiras e a única coisa que mudou desde o início é que neste momento tenho uma nave espacial toda esburacada em minha posse, dentro da qual está uma ET feia de quem me esqueci até agora, um urso de peluche feioso na mão e uma data de leitores aborrecidos e a bocejar.)


A nave arrasada caiu no meio do chão, junto ao lidl onde eu patinava. O airbag disparou, os cintos activaram-se e a nave desfez-se como se fosse feita de legos. Saí lá de “dentro” e olhei para os destroços. Dos destroços saiu a tal rapariga feia e detestável com quem eu me devia casar, segundo o que eu combinara sem intenções de cumprir. O que eu não sabia é que a Anuket tinha exagerado um pouco na descrição da “filha da coisa”: ela não tinha 3 metros de altura, não tinha verrugas peludas, não tinha um nariz horroroso, tinha sapatos azuis e, acima de tudo, não parecia saída do filme da autópsia de Roswell. Era, inclusivamente, bastante simpática, educada e cabeluda! Ia mesmo convidá-la para ir jantar ao restaurante tibetano que há em Lisboa, quando apareceu o espírito de Zé perante mim, esmagando-a por baixo dos seus pés descomunais.

neo: Por que raio fizeste isso?
Zé: Não podes perder a competição de desencalhar!
neo: Que tens tu a ver com isso?
Zé: Sou o enviado de um dos deuses Imperialistas, que se está a divertir imenso com as vossas competições.
neo: Ah.. está bem. Fico-te eternamente grato.
Zé: Não tens que agradecer. Tenho uma missão divina para ti.
neo: E o que é que eu ganho em cumpri-la?
Zé: A satisfação de venceres a Anuket!
neo: Qual é o plano?
Zé: Vês aquele microondas gigante que eu fiz aparecer ali junto à pista de atletismo?
neo: Deixa-me adivinhar: queres que eu construa uma montanha-russa com o metal derretido das peças do OVNI. Acertei?
Zé: Hmmm!
neo: ??
Zé: Hmmmmm!!
neo: Ahm?
Zé: Hmmmmmmmmm!!
neo: O que é que isso quer dizer?
Zé: Eu ia sugerir fazeres tostas mistas, mas essa ideia ainda é melhor! Faz antes isso para ver se a gente se diverte mais no mundo Imperialium.
neo: Então e o que aconteceu ao competir com a Anuket para vos divertir?
Zé: Quê?! Hop! Hop! Montanhas-russas não se constroem sozinhas! Ao trabalho!

Tendo dito isto, Zé desapareceu a rir-se como uma criança e a assobiar o épico hino do Imperialium...




PARTE 2: O parque de diversões temático Anti-Anuket!



Após aproximadamente um ano a trabalhar sozinho no deserto do Mundo Imperialium, que equivale a pouco mais de três minutos no mundo comum, o neopinguim finalmente acabara de construir aquela que seria possivelmente a montanha-russa mais assustadora e mais intimidante de sempre, com excepção daquelas cor-de-rosa e com muitos flamingos. Toda feita em verde garrido, ela possuía quatro loops seguidos, nos quais entrava a uma velocidade superior a 150 km/h, após uma descida vertiginosa de mais de 90 metros. Cada viagem demorava aproximadamente 2 minutos, que se pretendiam repletos de gritos de pavor. Possuía apenas um comboio, ao qual faltava uma figura feminina como as naus tinham, pois não houve metal suficiente para construir uma. O comboio tinha mais de 30 lugares, que prometiam dar aos seus utilizadores a viagem da vida deles. Foi baptizada de: “O Pé Demoníaco!”.


Estava na hora de testá-la. Sentei o Freddy no lugar da frente e pu-la a funcionar pela cabine do engenheiro. Tudo correu bem, excepto na chegada ao primeiro loop, durante o qual o Ursinho de peluche da Anuket saiu disparado a uma velocidade alucinante, voou durante quase 500 metros e foi embater violentamente contra um cacto mutante que fez questão de aparecer novamente neste post. O cacto, que se chamava Óscar, estava a dormir tranquilamente quando foi acordado pelo Freddy, em quem se vingou dando-lhe imensos murros e coices.
Voltei a testar a montanha-russa, mas desta vez prendi o Freddy como deve de ser. Por um grande infortúnio, ele...

Ok, vou ser sincero. Não resisti a meter lá o Urso outra vez sem o segurar com o ferro de protecção. Vi-o voar e embater contra o Óscar outra vez e a levar porrada novamente daquele cacto com narcolepsia.

Mas à quarta ou quinta vez, prendi-o propriamente e pude ver a montanha-russa a funcionar em toda a sua glória. Deixei-o lá estar durante umas seis ou sete voltas, só mesmo até ele ficar sem voz, inconsciente e a sangrar do nariz. Depois peguei nele e, sem limpar o sangue que manchava o seu outrora belo pêlo branco, enjaulei-o e fiz dele a atracção principal da minha Casa Assombrada à qual chamei “Covil da Anuket”. Esta Casa Assombrada foi construída junto a’ “O Pé Demoníaco!” e, tal como o resto do meu futuro parque de diversões temático, possuía um tema Anti-Anuket, tendo imagens e esculturas dela espalhadas por todas as paredes, dando especial relevo ao seu nariz, com o intuito de aterrorizar adultos e crianças que pagassem para lá entrar.




Contudo, e apesar de já ter tido bastantes clientes para quem tinha apenas duas atracções a funcionar há menos de uma semana, o meu parque de diversões tinha falta de mais divertimentos. Talvez uns carrosséis, ou umas bancas com jogos para palermas que gostem de gastar dinheiro... Claro que os lucros todos seriam a favor da causa da BAU, fosse para comprar armamento, instrumentos musicais, gomas ou até mesmo gambas. Embora mais as duas primeiras que as duas últimas.

A ideia era simples: construir quatro ou cinco barracas para vender gelados, algodão doce, refrigerantes, hambúrgueres, dióspiros e quaisquer outras porcarias que os membros da BAU tivessem a mais em casa, como aranhas, bolor ou humidade. Depois, usar os lucros destas casas de restauro para construir os carrosséis, escorregas aquáticos, carrinhos-de-choque, etc.

O único senão é que me faltava dinheiro para poder investir nas barracas e nos seus trabalhadores, mas para esse problema arranjei uma solução genial! Resolvi enviar um pedido de resgate à Anuket pelo seu Urso, exigindo uma maquia tão gorda quanto a própria Anuket. Para a convencer, arranquei um olho ao Freddy e enviei-lho num envelope. Teria enviado um dedo, como em todos os filmes em que há raptos, mas ele não foi afortunado o suficiente para nascer com dedos.



Passado uns dias (tudo porque aparentemente ficou com o jipe enterrado na areia por diversas vezes), a Anuket lá apareceu. Fiz questão que ela me entregasse o dinheiro em primeiro lugar, não fosse fugir com ele como fugiu da Coisa com o telemóvel. Depois, como sou má pessoa e sou tudo menos fofo, não cumpri a minha palavra e não lhe devolvi o seu Urso zarolho. Em vez disso, acorrentei-a na parte da frente do primeiro carro do comboio d’ “O Pé Demoníaco!”, amaldiçoando-a a andar na "primeira fila" daquela montanha-russa horripilante para o resto dos seus dias!! Ela era, de facto, a coisa mais barata e mais parecida com uma figura feminina que eu conseguia arranjar de momento. Era isso ou usava o Óscar, e ele dá coices.


E foi assim que, por ironia do destino, o dinheiro da própria Anuket acabou por salvar o “Parque Anti-Anuket” da bancarrota. As obras dos novos divertimentos já começaram e por todo o Mundo Imperialium se fala deste prodigioso parque de diversões que irrompeu do nada no meio do deserto e que possui uma montanha-russa com a forma de um pé e uma casa assombrada por um Urso sem um olho, como principais atracções.

Obrigado, Anuket!


neop.X

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A Saga da Lua

(Humor? só a partir deste para baixo : As aventuras da gazela Anuket em Marte!)

Um lobo chamado Skor e uma troll chamada Unga

Mais tarde vim a descobrir que fiz o contrario, a Unga deliciava-se com a historia que os irmãos lhe contaram, de como a discução começou, da luta e da derrota de Torg, e para minha satisfação e alivio, a Unga, assim como toda a familia riam-se desmesoradamente com a escepção de Yorgsh, talvez não estivesse a acreditar na parte em que Torg insultou a Unga e eu defendia a honra dela, ou a parte em que eu peguei numa cadeira e parti-a nas costas de Torg, ou quem sabe não acrerditasse que o chefe da aledeia veio congratularme por aquele enorme favor á sua patria, talvez porque Yorgsh fosse ele proprio o chefe da aldeia mas parece que todos esses pensamentos foram em vão, pois o velho levantou-se e disse-me:

Yorgsh: Skor, mais uma vez fizestes um grande feito pela minha familia e povo, eu sei que me estou a repitir, mas tenho de te dizer, mas neste pouco tempo que entrastes na vida da minha filha, só tenho tido boas impreções tuas, eu podia desejar ter um filho como tu, mas os meus dois filhos já me dão muita satisfação, mas por outro lado aquele falhanço de futuro genro não me dá qualquer gosto...

E enquanto Yorgsh divagava eu podia ver as duas cunhadas a entre olharem-se com ar de que planeavam uma coisa, nem quis começar a pensar no que seria. Nisto a Unga sentou-se ao meu lado e agarrou-se ao meu pescoso, senti um ligeiro sufoco, mas não propriamente causado por ela a agarrar-me mas por algo que não precebi, se calhar estava a ficar com pulgas, ou se calhar foi das gomas que andei a comer, mas o tempo passava e o Yorgsh não parava de divagar e então para quebrar o ambiente de tedio que as teorias de Yorgsh causavam, a mãe de Unga foi gentil o suficiente para me perguntar por certas coisas:

Urnia: então Skor, fala-nos de ti, não é todos os dias que temos um convidado na nossa mesa, muito menos um lobo que fala.
Skor: eu gostava muito de dizer quem sou, mas...
Brov: és um espião ultra secreto e estás numa missão super mega secreta?
Unga: shhh, deixa-o contar Brov
Skor: eu por acaso gostava de confirmar isso rapaz, mas eu na realidade estou muito confuso, eu só sei que era humano.

O abraço de Unga torna-se mais apertado por uma razão desconhecida, talvez fosse o meu pelo a causar-lhe comixão ou porque estava com sono, mas isso tambem não interessava muito agora, a menos que o seu aperto me fizesse saltar o cerebro da cabeça.

Skor: não sei o que aconteceu, mas tambem não me lembro da minha identidade, as vezes sinto que fui alguem poderoso, que tinha um mundo a meus pés, mas outras vezes, outras vezes sinto que vivia algo mais pacato, uma casa simples na floresta com uma mulher.

Palavras que me causaram uma certa tristeza recordando os tempos passados que escorriam vagamente na minha mente, trocados e emaranhados como duas vidas vividas em tempos destintos, tal discurso e tal desmotivação do meu ser fez com que a Unga encostasse a sua cabeça á minha, com este acto as cunhadas entreolham-se outra vez. Agora eu achei mesmo que algo estranho se passava, mas mesmo assim, decidi não ligar coisas mais estranhas se passaram.

O tempo passou-se e com ele varias gaivotas voaram norte presseguidas por enormes gruas amarelas, castores começaram a fazer os seus rituais satanicos, o que foi um berbicacho para a tribo de trolls a que eu me tinha juntado, ajudei na caçada a esses vies servos da Demonstração, que foi algo que correu ás mil maravilhas, a tribo tinha peles novas para os artezãos fabricarem novas roupas e eu tinha ganho um gosto pelas caçadas realizadas por estas criaturas que agora chamava de minha familia. Mas esta paz não durou para sempre. Meses depois, tambores foram ouvidos á distancia o soar de melodias de batalha despertou os mais jovens que desejavam provar-se em batalha e receber mais gomas, mas o que me mais custou ver foi as mulheres que choravam pelos seus irmãos, maridos e filhos que se queriam lançar loucamente ao encontro da morte. Mas foi então que a ideia me surgiu, um flache da memoria de uma victoria antiga, perdida na minha mente, corri para avisar o lider do grupo que se preparava para defender a aldeia, que neste caso era Grizaldo, mas antes de ir falar com ele ainda tive tempo de mandar uma moeda ao poço, pedir um desejo e ir comer qualquer coisa. Ao fim de estar bem alimentado finalmente dirigi-me assim como a minha palavra ao irmão de Unga.

Skor: Grizaldo isto são tambores de ursos!
Grizaldo: diz-me algo que eu não saiba.
Skor: antes da batalha, estes tambores, eles têm um espaço de tempo em que fazem danças tradicionais e não as interrompem por nada.
Grizaldo: eu não acredito! quer dizer que…
Skor: sim!
Grizaldo: ainda podemos ir comer a feijoada!
Skor: podias ter poupado a piada previsível.
Grizaldo: sou novo nisto, o que queres? Bem, vamos então aproveitar da situação e matar ursos?
Skor: ora ai está algo que eu não ouvia á muito tempo. Com gosto! Lidera o caminho.

E assim percorremos as planícies brancas deste eterno Inverno até que ao subirmos uma colina, deparamo-nos com um enorme exército de ursos, o Grizaldo até ficara assombrado de medo com a imensidão de tamanho exército, mas desta vez quem não estavam prontos eram eles. Com um tremendo grito o irmão de Unga comandou o seu pequeno grupo a atacar o exército acampado e como perdido por uma fúria e sede de sangue mais antigas que o próprio mundo, eu lancei-me na companhia dos Trolls sob o exército incrédulo dos ursos. A batalha começou e sem dificuldades o pequeno grupo organizado de Trolls subjugou os ursos que tentavam combinar a sua dança frenética com as artes de combate só conhecidas por eles. Por entre as hordas infindáveis de dançarinos lá estava um ou outro a fazer gazeta, que eram rapidamente subjugados pois os guerreiros podiam dar-se ao luxo de desviar a atenção dos dançarinos para atacar os gazeteiros. Mas tanta facilidade era de estranhar e os meus receios não foram ao acaso, pois quando a vitoria parecia assegurada, um urso bem pequeno, mas com uma mão enorme aparece pelo meio dos restantes ursídeos e ataca o Grizaldo com uma fúria e um poder incrível, abanando a sua mão de um lado para o outro. Três outros Trolls tentam defender o seu líder mas acabam por sucumbir aos furiosos ataques do urso pequeno. Quando eu tento reagir sinto as minha patas presas, batalha continua mas quanto mais eu tento avançar, mais dor sinto até que, cansada da minha recusa, a minha captora revela-se, ou pelo menos a sua voz.

Captora: Esta não é a tua batalha! Nunca foi!
Skor: e quem és tu para decidir isso? O que eu faço é de minha escolha apenas.
Captora: silencio criança! Não tens nada a decidir aqui o destino deles está traçado.
Skor: O destino é aquilo que fazemos dele sua cobarde. Mostra-te e luta!
Captora: Não admito que deites tudo a perder por um erro de julgamento, insolente.

A minha atenção é desviada desta estranha conversa pelo que decorria no campo de batalha. Brov que nem devia estar aqui tinha se posto entre o pequeno urso e o seu irmão, o que seguiu da batalha ficou fora da minha percepção pois a força que me agarrava, forçou-me para o chão e fez-me desmaiar…

Voz: Midd… Midd acorda
Outra voz: …Pai… o que é que estás a fazer?
Ainda Outra voz: quer poupar em chamadas de longa distância?

Os meus olhos abrem-se lentamente para observar duas figuras femininas no meio de uma imensa escuridão, ambas estavam vestidas com enormes capas e capuzes que impossibilitavam de ver como eram mas as suas vozes eram tão familiares que me faziam estremecer o… pelo?
Levantei-me e observei que eu era do mesmo tamanho. Já não era um lobo mas sim um humano e as roupas que me cobriam, essas sim eram feitas de pelo de um lobo negro.

Voz: onde é que estás Midd? Eu procuro-te mas não te consigo encontrar…
Outra voz: Pai… nós precisamos de ti, iremos desaparecer no esquecimento sem ti…

Eu gritei para elas, mas nenhum som saiu da minha boca, tanta coisa que queria explicada e que desejava que elas me explicassem mas algo não estava certo. Tentei falar outra vez, mas era como se a minha voz se tivesse apagado do mundo. E as duas raparigas repetiam as mesmas frases, vezes e vezes sem conta enquanto o desespero começava a invadir-me. Naquela câmara escura, para alem do passado desconhecido que me atormentava, as mesmas correntes invisíveis me aprisionavam. A fúria e o desespero consumiam-me cada vez mais enquanto que o humano escondia-se e o lobo começava a vir ao de cima. Mas por fim, algo acontece que faz toda a minha fúria desvanecer.


Uma rapariga que não teria mais de oito anos corre em direcção a mim agarrando num pequeno lobo de peluche, chegando perto de mim, desaparece como se não passasse de uma miragem. Não me deixando recuperar do choque, outra rapariga corre em minha direcção, esta era muito parecida á primeira menina, mas esta não era nenhuma menina, mas uma jovem na flor da idade, ela abraça-se a mim e desaparece como a primeira, deixando-me como um estranho e frio terror. Segundos depois uma terceira aparece, esta não corria como as duas primeiras, mas o gelo dos seus olhos azuis e o fogo do seu cabelo curto marcaram-se em mim. Esta não hesita nem um instante e ao chegar perto de mim dá-me uma violenta chapada desvanecendo logo de seguida por entre um riso maligno e ensurdecedor. E para finalizar, uma anciã aproxima-se de mim, com longos cabelos tornados brancos pela idade, mantos também brancos e com um olhar que mostrava uma infinita sabedoria. Ela caminha lentamente até perto de mim e ao contrário do que eu esperava ela não desaparece mas dirige-se para mim com uma voz estranhamente pouco desgastada pela idade.

Anciã: peço desculpa pela atitude das minhas irmãs, elas são novas e inconscientes. Eu sei que não podes falar, culpa a ruiva, ela ganhou um terrível gosto em brincar contigo, enquanto que as pequenas simplesmente não sabem o que fazer contigo mas está descansado, não vais ficar á mercê delas por muito mais tempo.

Ainda outra voz: telefone já e poupe connosco que não iremos revelar o nome mas somos bons em fazer pessoas poupar

E com essas palavras sou solto da prisão invisível e caio no chão com um sufoco enorme quando volto a olhar para cima a anciã tinha desaparecido e por entre as sombras que me sufocavam consegui ver um rosto azul que me envolvia de calma. E a sua voz trémula dizia-me com algum alívio.

Unga: pensava que te tinha perdido também…
Skor: também…?

Afastada dali mas também com algum pesar na voz a sua tia anuncia:

Kandia: O Grizaldo foi morto na batalha, o Broy foi gravemente ferido…

Fim...